domingo, 28 de março de 2010

OS PRATOS DA MEMÓRIA

A primeira página do livro dá o tom. É um pequeno poema:

"Come-se
a lua numa tortilla,
Nos feijões,
sente-se a terra.
Coma chili
e terá sol e fogo.
Beba água
e é o céu a deslizar".
O livro chama-se "Recipe of memory- five generations of Mexican cuisine", escrito por Victor Valle e Mary Lou Valle e publicado pela The New Press, Nova York (1995). A proposta, realizada nos mínimos detalhes, é recriar a história de uma família a partir das receitas que vão passando de mão em mão, de paladar em paladar, de mãe para filha. Na verdade, a investigação do casal Valle vai além desse registro histórico doméstico. Para entender como funcionam os mecanismos de perpetuação desse ou daquele prato, eles acabam investigando o momento político que permitiu às diferentes regiões do país terem o predomínio sobre a cultura e os costumes das outras, bem como o desenvolvimento de "culturas" paralelas, como a dos pequenos hotéis ou paradores.
Sem pretensões, Victor e Mary Valle fazem história cultural da boas, como aponta Elena Poniatowska em seu prefácio. Das páginas de seu livro emerge a cidade de Guadalajara em toda sua criatividade gastronômica, e figuras artísticas da região de Jalisco como os pintores Orozco e Diego Rivera, ou o escritor espanhol Ramón del Valle Inclan, apaixonado pela mulher de Rivera, Luper Marín. Brotam, igualmente, birrias- prato com carneiro, uma sopa chamada posole, receitas com pombos, batatas-doces, amêndoas, e imagens de casas da cor do barro, pontilhadas por buganvíleas e gerânios.


CONSOMÊ VIOLENTO

A receita deve esse nome à maneira como a gema de ovo e um pouco de xerez é batido e introduzido num caldo fumegante pouco antes de servir. É importante escolher um xerez espanhol legítimo, pois são mais secos do que doces.

SOPA
2 colheres de chá de azeite
1 cebola  média, cortada em pedaços
1 xícara de tomates assados, pelados e cortados
5 xícaras de puchero (ver receita abaixo)
1/2 colher de chá de noz moscada
1/4  colher de chá de pimenta branca
1 folha grande de louro
1/2 colher de chá de sal
1 gema de ovo, batida
1/8 xícara de xerez
1/4 xícara de salsa picada





PUCHERO
2/4 de xícra de água gelada
1 kg de carne picada
250 g de frango
1/2 xícara de grão de bico previamente cozidos
1 cebola média picada
2 cenouras médias , peladas e cortadas pela metade
1 cabeça de alho
1 nabo, pelado e cortado
1 nabiça, pelada e cortada
1 folha de louro
1/2 colher de chá de pimenta branca
1/2 colher de chá de sal
4 folhas de salsa
1 abóbora média ou abobrinha cortada

Junte numa panela a água, a carne, o frango e o grão de bico. Junte a cebola, alho, cenouras, nabo, nabiça, louro, pimenta, sal e salsa. Deixe o caldo levantar fervura. Diminua o fogo e cubra o caldo por 1 hora e meia. Junte a abóbora ou abobrinha 15 minutos antes de servir. Retire os legumes e carenes. Coe o caldo e leve-o à  geladeira por pelo menos uma hora. Retire a gordura que se formará na superfície.

CROUTONS
3 colheres de chá de manteiga
2 colheres de chá de azeite
3 fatias de pão dormido cortado em formato triangular





PREPARAÇÃO
Esquente uma colher de azeite numa panela média em fogo moderado e deixe dourar a cebola por três ou quatro minutos até amaciar. Remova a cebola da panela e num processador bata a cebola com o tomato até formar uma mistura cremosa.
Esquente o restante do azeite em fogo alto. Reduza o fogo para médio e adicione a mistura de tomates e cebola. Ela deverá ferver em contato com o azeite. Deixe refogar por cerca de 2 minutos. Adicione a noz moscada, a pimenta, louro, sal e reduza o fogo, deixando cozinhar por cerca de 5 minutos. Coloque a mistura de tomates numa panela para sopa contendo 5 xícaras pré-aquecidas de puchero, deixe ferver e depois cozinhar por 10 minutos. Remova a folha de louro.
Prepare os croutons enquanto a sopa ferve. Esquente o azeite e a manteiga, adicione os pedaços de pão e deixe-os dourar. Separe os croutons.
Coloque a sopa na sopeira e a coloque na mesa. Imediatamente introduza a gema batida e em seguida o xerez. Sirva a sopa enfeitando cada prato com salsa e croutons

sábado, 28 de novembro de 2009

A VISÃO DA COXIA

"A casa das lembranças perdidas", da australiana Kate Morton, foi um fenômeno de vendas na Inglaterra, onde ultrapassou o patamar de um milhão de exemplares lidos. A história não podia ser mais autorreferentemente britânica. A queda de uma família tradicional, os Ashbury, vista pelos olhos de uma criada, Grace, que começa como arrumadeira, passa a camareira, e termina seus dias alforriada, com doutorado numa universidade e de bem com a vida, exceto por um detalhe. Nunca conseguiu superar sua relação com a família que a acolheu aos 14 anos, nem as lembranças das tragédias de que foi testemunha e coadjuvante.
É da rotina de Grace na casa de Riverton que tratam os primeiros capítulos do livro, ricos em descrições como esta
" No centro da toalha de linho branco, nós espalhamos hera e arrumamos rosas cor-de-rosa ao redor de fruteiras de cristal cheias de frutas. Estes enfeites me agradavam; eram muito bonitos e combinavam perfeitamente com o melhor aparelho de jantar de milady- um presente de casamento, Nancy disse, dos Churchill, nada menos".
A visão de jantares, festas, a partir da coxia, da cozinha, do corredor onde os criados se revezavam pegando os pratos e repassando-os para a copa, é uma das criações mais notáveis de Kate Morton.
"Eu observava encantada enquanto um prato atrás do outro de comidas maravilhosas era despachado lá para cima- sopa de tartaruga, peixe, miúdos, codorna, aspargos, batatas, tortas de damasco, manjar branco- e desciam pratos sujos e travessas vazias".
Ou
" O peixe seguiu-se à sopa de ervilhas, o faisão veio em seguida ao peixe e tudo estava indo bem. Nancy aparecia de vez em quando lá embaixo, fornecendo informações bem-vindas do decorrer da festa. Embora trabalhando uma velocidade fantástica, a Sra.Towsend nunca estava ocupada demais para uma atualização do desempenho de Hannah como anfitriã. Ela balançou afirmativamente a cabeça quando Nancy anunciou que, embora a Srta. Hannah estivesse se saindo bem, seus modos ainda não eram tão charmosos quanto os da avó".
Abaixo, a receita ( estilizada) do que poderia ser uma das especialidades da cozinheira da mansão Riverton, a Sra.Towsend, cujas tortas de "massa dourada e crocante" nunca eram suficientemente elogiadas.

TORTA DE FRANGO E COGUMELOS

recheio
2 colheres de sopa de óleo
1 cebola picada
1 dente de alho amassado
125 g de cogumelos fatiados
1 colher de sopa de farinha de trigo integral
2 xícaras de caldo de galinha
500 g de frango cozido e cortado em cubinhos
1 colher de sopa de salsa picada
sal e pimenta


massa
250 g de farinha de trigo integral
1 pitada de sal
125 g de margarina ou manteiga
2 ou 3 colheres de sopa de água
1 ovo para pincelar

Coloque a farinha e o sal numa tigela e acrescente a manteiga, mexendo até a mistura lembrar migalhas de pão. Junte a água e misture até obter uma massa firme. Leve ao refrigerador por 15 minutos..
Enquanto isso, aqueça o óleo num panela e frite a cebola até que fique macia. Adicione o alho e os cogumelos e cozinhe o caldo e mexa até misturar completamente. Leve novamente ao fogo e ferva, mexendo até engrossar. Adicione os ingredientes restantes e tempere a gosto com o sal e a pimenta. Misture bem e transfira para uma travessa com capacidade para 1,2 l.
Abra a massa de modo a obter um diâmetro de 5 cm a mais que o do prato. Recorte uma tira fina ao redor da massa e pouse-a sobre a borda umedecida do prato. Umedeça a tira e depois cubra com a massa, pressionando as bordas firmemente.
Acerte as beiradas, decore com folhas feitas dos restos recortados das bordas e faça um buraco no centro. Pincele com o ovo batido e asse em forno preaquecido, moderamente quente, por 30 min, até dourar. Sirva quente.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

MUFFINS À LA OSCAR WILDE

Aprendi a fazer muffins quando menina, porque uma vizinha tinha uma receita incrível e era delicioso testá-la em mil e uma combinações.
Mas os muffins ganharam um sabor especial quando, com cerca de 17 anos, descobri a obra teatral de Oscar Wilde. Eu era apaixonada por teatro, e a verve de Wilde, com sua certeira pontaria contra a sociedade do seu tempo- a mesma que lhe daria durissimo troco, mais tarde, em seu processo de corrupção- era um prato cheio de jogos de palavras, chistes, blagues, trocadilhos. Gostava de "O leque de lady Windermere" mas, sem dúvida, a minha peça favorita era "A importância de ser Prudente" ou "Ernesto", segundo o original. Eu a havia visto na televisão, na versão cinematográfica com sir Michael Redgrave, então podia imaginar, perfeitamente, os bigodes fremindo, o arquear de sobrancelhas e o stiff upperlip, o lábio superior rígido como a educação vitoriana, a cada cena ou página lida. E a altercação em torno do muffin era ( e continua sendo) impagável. Para acompanhá-la melhor, vale entender a trama. Algernon, encarnação do próprio Wilde, é um dândi sem escrúpulos que se apaixona por Cecily, tutelada de Jack que, por sua vez, ama e é correspondido por lady Gwendoleen, prima de Algernon. Os dois cavalheiros não poderiam ser mais diferentes. Até porque Jack é epítome da correção e da retidão de espírito. Ao final da peça, além dos amores correspondidos, vem a grande revelação: Jack e Algernon, não só são irmãos, como ambos se chamam Ernest, o nome preferido pelas damas.

CONFIRA O TRECHO DA PEÇA:
Jack: Como você pode ficar aí sentado, calmamente comendo muffins, enquanto há um terrível problema a resolver, não consigo entender. Você parece não ter coração.
Algernon: Bom, eu não posso comer muffins de maneira agitada. A manteiga provavelmente sujaria meus punhos. Deve-se comer muffins calmamente. É a única maneira correta de comê-los.
Jack : O que estou dizendo é que é perfeitamente desalmado comer muffins, da maneira que for, nessas circunstâncias.
Algernon: Quando tenho problemas, comer é a única coisa que me consola. Na verdade, quando estou realmente enrascado, como qualquer pessoa que me conhece intimamente poderia lhe assegurar, recuso tudo, exceto comida e bebida. No momento presente estou comendo muffins porque estou desgostoso. Além do mais, realmente aprecio muffins (erguendo-se).
Jack: Isso não justifica você comê-los tão vorazmente (pega uns muffins).
Algernon: (oferecendo um bolo) Eu preferia que você comesse do bolo, não gosto de bolo.
Jack:Céus! Imagino que um homem possa comer os muffins servidos em seu próprio jardim.
Algernon: Mas você acabou de dizer que é desalmado comer muffins.
Jack: Eu disse que era desalmado você comê-los, nas circunstâncias, o que é muito diferente.
Algernon: Pode até ser. Mas os muffins são os mesmos ( ele pega o prato da mão de Jack).
(ato II, cena 2).
Muffin que se preze tem que ter forma própria e recheios variados. Abaixo a receita básica da tia Consuelo( ficam muito parecidos com os de Wilde). Versões mais sofisticadas e variadas, com chocolate branco e fudge, podem ser encontradas no livro "Receitas caseiras- Muffins", das edições h.f.ullmann, coleção Le Cordon Bleu.





MUFFINS
Peneirar bem:
2 xícaras rasas de farinha de trigo
3 colheres de chá de fermento
3 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de sal
4 colheres de sopa de manteiga
1 ovo
1 xícara e 1/4 de leite
Acenda o forno. Unte as forminhas. Peneire a farinha e os ingredientes secos. Ponha a farinha numa tigela, meça a manteiga e, com o garfo, vá cortando a manteiga dentro da farinha, até parecer farinha de milho grossa. Quebre o ovo numa tigela e bata com o garfo. Junte com o leite. Misture bem. Ponha dentro da tigela de farinha. Mexer um pouco, levemente, até umedecer toda a farinha. Fica uma massa grumosa. Com uma colher, encha as forminhas. Asse em forno muito quente. Pode usar passas na massa ou casca de limão ralada.

VEJA A CENA DOS MUFFINS CLICANDO ABAIXO
http://www.youtube.com/watch?v=NSMF_yJTyXY&feature=related
VEJA O TRAILER DO FILME DE 1952 COM  MICHAEL REDGRAVE
http://www.youtube.com/watch?v=3vt37AR-5H8&NR=1
VEJA O TRAILER DO FILME DE 2002 COM COLIN FIRTH
http://www.youtube.com/watch?v=U42lBo8fST8&feature=related

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

DELICADEZAS CHINESAS



Há quem seja entusiasta de Lin Yutang, quem tenha se enamorado dos livros de Pearl Buck e quem, sendo de uma geração mais recente, tenha se rendido aos encantos de Amy Tan, Anchee Min e Lisa See.
Confesso que sou dessas últimas. Da primeira, me deixei seduzir pelo "O clube da felicidade e da sorte", a obra mais bem acabada de Tan, autora sino-americana. Relato em duas gerações dos contrastes entre a vida da mulher na China antes de Mao, e das suas descendentes na San Francisco de hoje em dia, "O clube" consegue comover, sem ser piegas. Anchee Min se especializou em mulheres terríveis: Madame Mao e a Imperatriz Orquidea, personagem nefasta que aparece em todo seu esplendor no filme de Bertolucci, "O último imperador". Os relatos de Min são pincelados de sensualidade e crueldade, em doses iguais. Lisa See, no entanto, fenômeno recente nas listas de mais vendidos americanas, surpreende pela delicadeza. "Flor de neve e o leque secreto" fala da linguagem proibida das mulheres, "As palavras do amor", de uma paixão que ultrapassa a morte.
Em todas as três autoras envolve o leitor, sobretudo, a riqueza da recriação de uma cultura distante e de belissimos detalhes. Um antídoto perfeito ao estereótipo chinês que a globalização nos impôs: pastelarias e lojas de badulaques a 1,99.
A receita aqui escolhida,helàs, parecerá a paladares requintados uma citação do clichê. Mas não é. São deliciosos pastéis chineses, diferentissimos do nosso pastel servido com caldo de cana. A receita é extraída de "O livro da comida chinesa", de Jasper Spencer-Smith ( Manole).

PASTÉIS DE CAMARÃO
450g de camarões crus descascados e moídos
115g de brotos de bambu em conserva, picados
4 colheres ( de sopa) de água
1 1/2 colher (de sopa) de molho de soja
1/2 colher (de sopa) de vinho de arroz (saquê) ou xerez seco
1/2 colher (de chá) de açúcar
1/2 colher (de chá) de óleo de gergelim
Pimenta do reino preta moída, a gosto
1 1/2 colher (de sopa) de maisena

Massa:
450g de farinha de trigo comum
115 mil de água fervendo
70 ml de água fria
1 colher (de sopa) de óleo vegetal

Para fazer o recheio, misture todos os ingredientes, exceto a maisena até a mistura estar bem lisa. Junte a maisena. Divida em 30 porções.
Para fazer a massa. Coloque 315 g de farinha em uma tigela de tamanho medio. Use o restantes para enfarinhar as mãos. Junte a água fervendo. Adicione a água fria e o óleo. Misture para formar uma massa: sove até ficar macia. Forme com a massa um rolo comprido ( como para fazer nhoque) e corte em 30 pedaços. Use um rolo de macarrão para abrir cada porção em um círculo com aproximadamente 5 cm de diâmetro e espessura bem fina.
Coloque 1 porção de recheio no meio do círculo de massa. Junte as pontas e aperte-as para fechar, formando uma corda nas bordas. Repita com os círculos e os recheios restantes.
Forre um cesto de cozinhar no vapor com um pano úmido. Coloque os pastéias a cerca de 2,5 cm de distância um do outro. Cozinhe no vapor por cerca de 5 minutos. Retire e sirva. Faz 30 pastéis.
obs: esses pastéis também podem ser fritos ou assados, resultando numa massa sequinha e crocante.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

AO VENCEDOR, AS BATATAS



A expressão é conhecida, é quase a frase mais conhecida de Machado de Assis, título de livro do crítico Roberto Schwarcz, inclusive. O seu contexto, no entanto, é um pouco obscuro para quem não mergulhou nas páginas de "Quincas Borba", uma das obras-primas do grande autor brasileiro.
"– Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência de outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas."
Esta é a síntese do humanitismo, tal como pregado pelo filósofo Quincas Borba a Rubião, que não aprende o suficiente com o mestre para poupar-se de extremos dissabores.
Como nesse blog, no entanto, ao contrário, todos são vencedores ( são leitores, não são? conhecem Machado de Assis, não conhecem?), escolhemos reconvocar as batatas, que já deram o ar de sua graça nessas páginas. A versão atual é extraída do livro de Anne Wilson,"Receitas populares de batata" (Könemann). Batatas com casca e tudo e recheio ao gosto do "vencedor". Ideal para acompanhar assados, por exemplo. Ou para um lanche de inverno, acompanhado por um bom vinho.

BATATAS ASSADAS
(receita para duas pessoas)
2 batatas grandes (660 g)

1. Aqueça previamente o forno. Espete as batatas várias vezes com um garfo e leve-as ao forno durante 1 hora até que estejam cozidas.
2. Enquanto isso, prepare os recheios que desejar.
3. Faça um corte ou uma cruz nas batatas assadas, separe as metades e introduza o recheio ou, ainda, extraia a polpa, misture com o recheio e torne a introduzi-la na batata.
obs:( para cozer as batatas com a casca no microondas, fure a superfície da batata com um garfo, envolva-a em papel absorvente e coza à temperatura máxima durante 10 minutos. Deixe-as repousar, sem abrir o forno, durante 2 minutos).


RECHEIO SUIÇO
1/4 xícara de queijo gruyère ou emmenthal cortado em quadradinhos
2 fatias de presunto cortado em tiras
3 cebolas picadas
2 batatas grandes assadas

Misture o queijo, o presunto e as cebolas. Faça um corte em forma de cruz e introduza a mistura quando as batatas ainda estiverem bem quentes, para que o queijo se funda.

COGUMELOS E ALHO
45 g de manteiga
125 g de cogumelos cortados em quartos
1 dente de alho triturado
2 colheres de chá de salsa picada
pimenta moída
2 batatas grandes assadas

Aqueça a manteiga e junte os cogumelos e o alho. Frite até que estejam macios. Acrescente a salsa picada e a pimenta. Introduza a mistura nas batatas, cortadas em forma de cruz.

CAMARÕES PICANTES
15 de manteiga
250 g de camarões cozidos e sem casca
1 pitada de curcuma
1 pitada de coentro picado
pimenta moída
2 batatas grandes assadas

Aqueça a manteiga numa frigideira e frite os camarões, a curcuma eo coentros em fogo brando, durante 1 minuto. Tempere com pimenta a gosto. Faça um corte longitudinal nas batatas e recheie com a mistura.

domingo, 2 de agosto de 2009

UM CARDÁPIO DE AVENTURAS



As americanas Mary O'Hare e Rose Storey escreveram "Recipe for a Book Club", um livro de cardápios mensais para clubes de leitura. Uma ideia original e uma execução um pouco confusa. Explico. As autoras misturam sugestão de um título para cada mês do ano, com receitas de um cardápío completo e muito fácil, e leituras correlatas ao título principal sugerido. Para o mês de Novembro, por exemplo, o tema principal escolhido por elas é a Aventura, assim, com A maiúsculo. Não conheço o livro indicado, "Two years before the mast", de Richard Henry Dana, mas vejo que é a história de (outro) homem e seus barcos, "Pilgrim" e "Alert", que ele era um abolicionista, amigo de Ralph Waldo Emerson e que Alan Ladd viveu seu papel no cinema. Conheço as leituras apontadas para complementar sua história, no entanto, e elas cobrem uma gama variada demais para o meu gosto. Vão de "O chamado da floresta" ( Call of the wild), de Jack London, a "Viagens de Gulliver", de Jonathan Swift, passando por "Robison Crusoe", de Daniel Defoe, "Os três mosqueteiros", de Alexandre Dumas, "A filha da fortuna", de Isabel Allende e "Dívida de honra", de Tom Clancy. Qual seria a bússola a nortear O'Hare e Storey? O tom folhetinesco, épico, peripécias puras e simples? Pergunto isso porque elas, ao elaborar sua lista, misturam livros de entretenimento acrítico com outros, emblemáticos como crítica do homem e sua civilização (Defoe e Swift). Não que elas não se justifiquem, de certa maneira. Na avaliação que fazem do livro de Dana, elas o acham "confuso", embora fascinante em suas descrições de povos e costumes.
Para degustar esse poutpourri literário, elas sugerem um menu igualmente Alhos e Bugalhos, cuja ênfase é o exotismo, com um toque de século XIX, pelo que consigo depreender.

Chá gelado de laranja
Pasta de Alcachofra
"Gumbo" de Salsichas, Frango e Camarão
Pão francês
Pudim de pão

Detenho-me no Pudim de Pão, que é uma sobremesa que tem seu lugar em qualquer Chá das Cinco, qualquer sobremesa, e naquele lanchinho antes de dormir. É uma receita simples para a qual elas propõem um molho opcional substancioso, que pode enriquecer um "Thanksgiving Day", na opinião delas, ou nosso Natal.

Pudim de Pão

1 e 1/2 xícara de açúcar
3/4 colher de chá de canela
3/4 colher de chá de noz moscada
3 ovos
3/4 colher de chá de baunilha
3/4 xícara de passas
3/4 xícara de nozes pecans picadas
5 colheres de manteiga, derretida
3 xícaras de leite integral, aquecido
350 g de pão dormido, sem casca

Misture o açúcar, a canela e a noz moscada. Usando um "fouet", adicione os ovos e a baunilha. Com uma colher de pau, acrescente a manteiga e depois o leite. Por último, coloque o pão, mexendo levemente, mas com firmeza. Coloque numa forma retangular e no forno ainda frio, ajustando depois para cerca de 150º.
Pode ser servido quente. Também pode ser acompanhado de creme batido ou Molho de Uísque, abaixo.

Molho de Uísque ( opcional)
1/4 xícara de manteiga
1/2 xícara de açucar
1 gema de ovo
2 colheres de sopa de água
2 colheres de sopa de whiskey

Cozinhe os ingredientes(todos, menos o whiskey) em fogo baixo até que a mistura engrosse ( cerca de 5 minutos). Tire do fogo e adicione o whiskey. Tome cuidado para não adicioná-lo enquanto o molho estiver no fogo, pois do contrário ele flambará.

sábado, 25 de julho de 2009

MOBY DICK E CHOWDER




A estreia, no Rio de Janeiro, da peça "Moby Dick", concebida e dirigida por Aderbal Freire-Filho, e a escolha do livro como um dos 100 livros essenciais da Revista Bravo, coincidiram com um presente que uma amiga me trouxe de Nova York. O livro "Literary Feasts- inspired eating from classic fiction", de Sean Brand, um confeito elaborado pela Atria Books.
Nunca li "Moby Dick",confesso. Sei, no entanto, que a frase inicial do livro "Call me Ishmael" é considerada por vários escritores americanos, entre eles Doctorow, como a frase responsável por seu ingresso nas lides literárias. Sei também que a leitura do livro costuma derrubar incautos e que, a insistência em trazê-lo para um clube de leitura,nos EUA,por parte de um de seus membros, provocou a derrocada do clube, tantas foram as "baixas" nas fileiras leitoras. Minha relutância à leitura, no entanto, deve-se a outro tipo de dificuldade. Leitora, na tenra juventude, de "Robison Crusoé" e "A ilha do tesouro", e embora tenha relido ambos, mais tarde, e gostado muito deles, até, apagando a lembrança juvenil e ingrata, tenho sérias dificuldades com romances náuticos e, por assim dizer, másculos. Não fui uma fã de "20 mil léguas submarinas". Não posso dizer que apreciei todas as qualidade de "Lord Jim", embora tenha degustado outros Joseph Conrad com prazer. Enjoei feiamente lendo "O velho e o mar", de Hemingway. Em suma, o máximo de mar e velames que pareço tolerar é um iate como o de "O sol por testemunha", de Patricia Highsmith, por exemplo. E a explosão de água salgada e sensualidade nos saveiros de Jorge Amado em "Mar morto".
Dito tudo isso, fiquei animada com a peça de Aderbal, e mais ainda com o livro de Sean Brand. Nele, aprendo que a receita que os personagens de Melville apreciam é uma "amazing chowder", uma incrível espécie de caldo grosso que, no Try Pots Hotel, onde o personagem Ishmael descobre, nas inconfidências de Queeqeg, a verdadeira história do capitão Ahab e de Moby Dick, a baleia que lhe engoliu uma perna, é servida em opções de marisco e bacalhau. Uma refeição suculenta, garante Ishmael, com pedacinhos de bacon, e temperada com pimenta e sal a gosto. Preparada pela sra.Hussy, que usa um colar de vértebras de bacalhau e anota a contabilidade de seu estabelecimento em livros encadernados em pele de tubarão, ela enche olhos e paladar dos personagens e os prepara para a expedição que virá.Abaixo,uma receita de "chowder" legítima,fornecida por um lobo do mar gourmet, não sei se também de Nantucket, como a original.

CHOWDER DE PEIXE

Ingredientes:
2 cebolas
3 cenouras
3 batatas de tamanho médio
3 talos de aipo com folhas
250 g de bacon
750 g mexilhões
1 a 2 kg peixe fresco, bacalhau ou hadoque
3 colheres de sopa de farinha de trigo
Sálvia fresca
Sal e pimenta a gosto
Creme de leite

Corte bem fino as cebolas, 2 cenouras, 1 batata, 2 talos de aipo. Corte o restante dos vegetais em pedaços maiores, para acrescentá-los mais tarde.
Numa panela grande, refogue o bacon, adicione os vegetais cortados e mexa-os até que fiquem cozidos. Coloque a farinha e mexa por mais alguns minutos. Adicione sal e pimenta. Se não quiser usar bacon, substitua-o por manteiga.
Ponha água na panela de maneira a cobrir os vegetais.Deixe os vegetais fervendo por 1 ou 2 horas, de modo a preparar o caldo que será utilizado no “chowder”.
1 hora e meia antes de servir, adicione os vegetais cortados mais grossos e os mexilhões. Deixe cozinhar por aproximadamente 1 hora e 20 minutos.Corrija os temperos e acrescente a sálvia. Quando as batatas e as cenouras estiverem macias, acrescente o peixe.Deixe o peixe cozinhar um pouco antes do ponto de fervura, até que amacie, uns 10 minutos. Não o faça cozinhar demais.Se quiser encorpar o prato, acrescente o creme de leite.